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GOIÂNIA

30 de Agosto de 2021, 11h:10 - A | A

POLÍCIA / ENTERRADO AO LADO DA MÃE

A história do menino que foi morto com 11 tiros enquanto andava a cavalo

O corpo de Alisson Bispo dos Santos foi sepultado nesta segunda-feira ao lado da mãe, assassinada em janeiro após salvar vida de criança em tiroteio

YAGO SALES
DA REDAÇÃO




A história de Alisson Bispo dos Santos, menino negro de 12 anos, não chamou a atenção da imprensa nacional neste fim de semana. Enquanto este texto é escrito, seu corpo é enterrado em um cemitério da periferia de Salvador, a capital de uma Bahia assustada com cada um dos 11 tiros que traficantes acertaram a cabeça de Alisson. 

No roteiro da crueldade, o menino tinha acabado de voltar da aula na Escola Municipal Eufrosina Miranda e pediu ao avô que saísse, montado no cavalo, pelos bairros próximos de casa.

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O cavalo era um companheiro. O menino dizia que cavalgar foi a forma que encontrou para amenizar a falta que a mãe dele fez em sua vida depois de ter sido assassinada a tiros durante um tiroteiro em uma festa, no dia 17 janeiro.  A mãe de Alisson, a auxiliar de serviços gerais Renata Bispo dos Santos, de 38 anos, foi morta com três tiros depois de entrar na frente de uma criança de sete anos, alvo dos disparos. Os tiros atingiram as costas e a cabeça de Renata. 

Na imprensa baiana, o caso do filho de Renata foi tratado com pragmatismo, sem espanto, e com a normalidade de um país entregue à violência, sobretudo nas periferias. A Polícia Civil ainda não sabe quem e por que o menino foi acertado tantas vezes. A principal linha de investigação é que Alisson tenha sido morto por uma facção rival àquela que comanda o tráfico de drogas no bairro onde morava. "Pode ter sido confundido com um olheiro", resumem notas emitidas por órgãos oficiais. 

A quantidade de tiros é o comprovante não apenas da maldade, mas também do sentimento de impunidade cravado no corpo perfurado do menino. Onze tiros é muita coisa. É ódio, desumanidade e extermínio, embora um tiro seria capaz de arrancar o menino de cima do lombo do cavalo. Um tiro seria capaz de separar para sempre os amigos. Ejetar o menino da rotina da família que ainda não se recuperou do luto de enterrar a mãe Renata que, oito meses depois, recebe o corpo do filho ao seu lado no Cemitério Quinta dos Lázaro. 

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