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GOIÂNIA

18 de Outubro de 2021, 15h:57 - A | A

PODERES / POR ABORDAR IDEOLOGIA DE GÊNERO

MP aciona município para suspender proibição e penalidades a professores

O órgão propôs ação pública contra Valparaíso para que suspenda efeitos de artigo da Lei nº 1.078/2015

DA REDAÇÃO




O Ministério Público de Goiás (MPGO) propôs ação pública contra o município de Valparaíso de Goiás para que suspenda efeitos de artigo da Lei nº 1.078/2015, o qual proíbe professores de ministrar qualquer disciplina que tenha relação com ideologia de gênero ou sexualidade.

O promotor de Justiça Daniel Naiff da Fonseca, que assina o documento, esclarece que a lei aprovou o Plano Municipal de Educação de Valparaíso de Goiás, mas, no artigo 9º, proibiu ao professor do sistema municipal de ensino, no âmbito das unidades escolares municipais, “ministrar qualquer disciplina que tenha relação com ideologia de gênero ou sexualidade, sendo apenas permitida a inclusão na grade curricular disciplina sobre anatomia humana”.

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Para o promotor, essa parte da norma, além de perpetuar um cenário de discriminação de gênero, ofende a finalidade de promoção dos direitos humanos de respeito à diversidade e ao pluralismo de ideias pela educação, além de violar a liberdade de ensino garantida aos professores pela Constituição Federal.

 

Inconstitucionalidade

Daniel Naiff observa que o Supremo Tribunal Federal (STF) já declarou a inconstitucionalidade de dispositivo de idêntico teor em lei do município de Novo Gama. Isso porque que o município, como ente federativo, não dispõe, pela Constituição Federal, de competência legislativa para tratar de diretrizes e bases da educação nacional.

A corte entende que a limitação da abordagem pedagógica de conteúdo, sob o signo de “ideologia de gênero”, viola princípios relativos à liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento a arte e o saber, e ao pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; de proibição da censura em atividades culturais e liberdade de expressão; do direito à igualdade, bem como o dever estatal na promoção de políticas públicas de combate à desigualdade e à discriminação de minorias.

O promotor alertou o município, representado pelo seu prefeito, Pábio Mossoró, que a vigência do dispositivo questionado permite a indevida interferência na apresentação e discussão de conteúdos pedagógicos na rede municipal de ensino, além de permitir eventual medida disciplinar contra professores que o violem, daí a necessidade de sua revogação. 

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