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GOIÂNIA

25 de Junho de 2022, 20h:32 - A | A

PODERES / ESCÂNDALO DO MEC

Empresário entrega comprovantes de depósito nas contas de genro de pastor goiano e de ex-assessor de Rogério Cruz

Os depósitos seriam referentes à negociação de evento em cidade do interior de São Paulo com a presença do então ministro da Educação Milton Ribeiro

DELIS ORTIZ
JORNAL NACIONAL



O empresário José Edvaldo Brito enviou à Controladoria-Geral da União (CGU) comprovante de depósito, no valor de R$ 17 mil, a Wesley Costa de Jesus, genro do pastor goiano Gilmar Santos, referente a uma negociação de evento com a presença do então ministro da educação Milton Ribeiro, no interior de São Paulo, segundo o jornal "Folha de S.Paulo".

Brito relata que pediu ao empresário Danilo Felipe Franco para fazer o depósito.

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A TV Globo teve acesso ao comprovante de pagamento que data o dia 05 de agosto de 2021. O depositante é a Sime Prag do Brasil LTDA ME (uma empresa de dedetização).

Gilmar dos Santos é um dos pastores que foram alvo da operação da PF nesta quarta (22). O outro é Arilton Moura. Os dois são investigados por suposto envolvimento em um esquema para liberação de verbas do Ministério da Educação (MEC).

No mesmo dia, Danilo fez, em seu próprio nome, outros dois pagamentos: R$ 20 mil para Luciano de Freitas Musse, ex-assessor do MEC; e R$ 30 mil para Helder Diego da Silva Bartolomeu, genro do outro pastor, Arilton Moura.

O parecer do Ministério Público que serviu de base da operação contra os pastores e o ex-ministro menciona um relatório da CGU e cita que "Danilo Felipe Franco realizou três transferências bancárias a pessoas ligadas ao pastor Arilton Moura, totalizando R$ 67 mil. Os três depósitos, para Wesley, Musse e Helder, somam R$ 67 mil". Segundo as investigações, o dinheiro fazia parte das tratativas.

O evento do ministro Milton Ribeiro com prefeitos da região de Nova Odessa, aconteceu em 21 de agosto, 16 dias depois dos pagamentos. O evento foi organizado pelos pastores que estão sob investigação.

Segundo as investigações da Polícia Federal, o pastor Arilton Moura pediu R$ 100 mil ao empresário José Edvaldo Brito, em troca da realização do evento em Odessa.

O empresário disse que fez os depósitos a pedido do pastor Arilton Moura. Segundo ele, os recursos seriam para ações filantrópicas.

Com autorização da justiça, a Polícia Federal interceptou uma conversa entre o pastor e uma advogada nesta quarta-feira (22). No diálogo, o pastor demonstra preocupação com a esposa e pede à advogada que a tranquilize.

“Eu preciso que você ligue para a minha esposa, acalme minha esposa. Porque se der qualquer problema com a minha menininha, eu vou destruir todo mundo”, afirmou o pastor.

Em resposta, a advogada disse: “Fica tranquilo. Entra em oração para se acalmar e a gente cuida das coisas por aqui”.

Não fica claro a quem Arilton estava se referindo quando falou em "menininha".

Em 9 de abril de 2021, a influência dos pastores no MEC ficou explícita em uma entrevista concedida à TV Gazeta. Na ocasião, o então ministro Milton Ribeiro foi a Goiânia exclusivamente para a entrevista com o pastor Gilmar Santos.

"Conforme nós anunciamos, está aqui conosco o ministro da educação Milton Ribeiro, a quem de antemão eu quero reconhecer a nossa dívida de gratidão pelo esforço e empenho que ele fez pra atender o nosso convite para este bate-papo e para fazer uma exposição aqui das atuações de toda sua pasta", disse Gilmar.

O pastor também agradeceu ao colega Arilton Moura, que estava nos bastidores do estúdio, por coordenar a entrevista.

Durante a entrevista, Gilmar destacou sua atuação para estreitar o relacionamento de prefeitos e secretários de educação com o ministro.

"A nossa pequeníssima cooperação, em aproximá-los do ministro e da sua equipe técnica me deixou realizado por ver que eles saíram de lá com brilhos nos olhos, entendendo que há recursos à disposição para seus municípios na área da educação e eles dependiam só de orientações de como ter acesso", disse Gilmar.

Alerta de Bolsonaro

A investigação da PF culminou na operação batizada de "acesso pago", deflagrada nesta quarta-feira (22). Além de depoimentos e documentos, a PF juntou interceptações telefônicas, todas autorizadas pela Justiça.

Em uma das conversas gravadas, o ex-ministro conta pra filha que havia recebido uma ligação do presidente Jair Bolsonaro (PL): "Hoje, o presidente me ligou. Ele está com um pressentimento novamente de que podem querer atingi-lo através de mim, sabe?". Em seguida, afirma: "Ele acha que vão fazer uma busca e apreensão em casa, sabe? Bom, isso pode acontecer, se houver indícios, mas não há porquê".

O telefonema foi no dia 9 de julho, mesma data em que o presidente Jair Bolsonaro estava com o ministro da justiça, Anderson Torres, na cúpula das Américas, em Los Angeles.

Pedido de investigação

O líder da oposição no senado, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), encaminhou para ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que já conduz um inquérito sobre outra suposta interferência do presidente na PF, um pedido para que seja apurada "a conduta de violação de sigilo e de obstrução da justiça do presidente Jair Bolsonaro"

"A partir de agora não é somente o esquema de corrupção do Ministério da Educação, é a atuação do presidente da república pra impedir a atuação da polícia federal fazendo uso de informações privilegiadas", disse Randolfe.

A oposição entende que a coincidência de datas das conversas que aparecem nas investigações da PF reforça a necessidade de apurar um segundo crime.

Caso no Supremo

O juiz Renato Borelli, responsável pela investigação do ex-ministro Milton Ribeiro, decidiu enviar o caso para o Supremo porque viu indícios de interferência do presidente, que tem foro privilegiado.

As investigações devem ficar com a ministra Cármen Lúcia, que já conduziu o inquérito sobre suspeitas de desvio de recursos do MEC, quando Milton Ribeiro era ministro.

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