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GOIÂNIA

14 de Junho de 2022, 08h:11 - A | A

PODERES / DESCONTENTE COM ESTATAL

Bolsonaro volta a defender a privatização da Petrobras: "Não tem viés social"

Bolsonaro diz haver um apoio "muito grande" da população para a privatização, destaca que o processo de desestatização demanda tempo e volta a recriminar "lucros abusivos" da empresa

TAÍSA MEDEIROS
CORREIO BRAZILIENSE



À espera de que o Congresso resolva o chamado pacote dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar a Petrobras, ontem, e a defender a privatização da empresa.

O chefe do Executivo disse que a estatal “dá prejuízos” ao povo e tem “lucros abusivos”. “A Petrobras não tem um viés social, previsto na própria Constituição. Está tendo lucros abusivos. Quanto maior a crise, maior o lucro que a Petrobras tem”, sustentou, durante entrevista à Rádio CBN Recife.

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Ele afirmou que há apoio “muito grande” da população para que a empresa seja vendida. “O povo está vendo que a Petrobras só visa lucro, nada mais além disso”, frisou.

Apesar da declaração de Bolsonaro, a pesquisa Ipespe, divulgada em 20 de maio, mostrou que 38% dos entrevistados são a favor de privatizar a Petrobras. Outros 49% se dizem contra, e 13% não souberam ou não responderam.

Na entrevista, o presidente admitiu que o processo de venda é demorado. “A Petrobras, se você fala em privatizar, leva no mínimo quatro anos. A gente apresentou uma proposta inicial, não vamos botar o pé no acelerador”, disse. Para realizar a privatização, é preciso do aval do Congresso e também do Tribunal de Contas da União (TCU).

Mais tarde, em pronunciamento à imprensa, Bolsonaro foi questionado se espera a renúncia do presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho. O chefe do Executivo afirmou que “quem está tratando disso é Adolfo Sachsida”, numa referência ao ministro de Minas e Energia.

Bolsonaro voltou a dizer que a estatal possui um “lucro inimaginável num momento de crise”. “As petrolíferas do mundo todo diminuíram a margem de lucro”, frisou. “E está escrito na Constituição o fim social (da Petrobras). Isso não é interferência.”

Ele destacou que há margam para mudar o Preço de Paridade Internacional (PPI), adotado pela estatal para definir os valores cobrados no país. Mesmo assim, enfatizou que não vai interferir na empresa. “A Petrobras se endividou em R$ 900 milhões, também, por interferência de preços”, justificou.

Sem apelo

O chefe do Executivo negou que tenha feito apelo à Petrobras para que não reajuste os preços antes da votação dos projetos que tramitam no Congresso. Na gestão de Joaquim Silva e Luna, porém, o presidente solicitou que o Conselho da estatal aguardasse a tramitação de outro projeto no Parlamento, que também pautava a alteração no ICMS. Não foi atendido.

“Já fiz um apelo lá atrás e me dei mal, me ignoraram. É a prova de que eu não mando na Petrobras”, argumentou. “É uma empresa de capital aberto, tem papel na bolsa dos Estados Unidos.”

De acordo com o economista César Bergo, da Universidade de Brasília (UnB), faltam dados para indicar que a venda da petrolífera seria uma boa iniciativa para a economia, que vê o preço dos combustíveis e derivados de petróleo subir rotineiramente.

“Quem defende a privatização da empresa geralmente não apresenta dados que apontem que ela vai ser benéfica para o país. Apenas fica repetindo, insistentemente, que a venda vai ser boa”, ressaltou. (Colaboraram Raphael Pati e João Gabriel Freitas, estagiários sob a supervisão de Cida Barbosa)

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