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26 de Outubro de 2021, 14h:16 - A | A

NACIONAL/MUNDO / FATALIDADE

Morte de policial militar por febre maculosa é confirmada

Vítimas são policiais militares; outras 60 pessoas estão sendo monitoradas

CNN




A pesquisadora Elba Lemos, chefe do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz, confirmou à CNN que a morte do primeiro-sargento Carlos Eduardo da Silva, no sábado (23), no Rio de Janeiro, ocorreu em decorrência da febre maculosa.

Segundo a pesquisadora, o policial militar deu entrada no hospital da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na última quinta-feira (21), em estado grave. O diagnóstico foi confirmado no dia seguinte pela análise de um teste PCR, que detectou a bactéria transmitida por carrapato em três etapas.

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Outro agente da corporação morreu no domingo (24) com suspeita da doença. As secretarias municipal e estadual de Saúde do Rio de Janeiro confirmaram que foram notificadas sobre duas mortes. As pastas investigam os casos e monitoram outras 60 pessoas que estiveram no mesmo local que as vítimas.

 

Treinamento

Os agentes participavam de um curso de especialização em área de mata no Rio de Janeiro. A Secretaria de Estado de Polícia Militar confirmou as mortes de dois policiais militares durante o fim de semana, supostamente, em decorrência da febre.

“O processo de investigação está em curso agora. Todas as pessoas que participaram do curso estão sendo monitoradas. Caso apareça algum sinal ou sintoma, ele possa ser imediatamente tratado para impedir a evolução para formas mais graves. Mas ainda está numa fase preliminar da investigação dos casos”, afirmou o secretário estadual de saúde Alexandre Chieppe.

Em nota, a Polícia Militar lamentou a morte dos agentes e informou que a causa está sendo apurada.

Todo o acompanhamento está sendo feito pelo Instituto Nacional de Infectologia, Instituto Oswaldo Cruz, Polícia Militar e Secretarias Municipal e Estadual.

A infecção da febre maculosa se dá através do carrapato-estrela, encontrado principalmente em animais como as capivaras e cavalos.

A capivara infectada por um carrapato com a bactéria, por exemplo, funciona como hospedeira e passa a contaminar outros carrapatos que não tinham a doença. Logo, os humanos que entram em áreas de mata podem ser mordidos pelos carrapatos, contraindo a doença.

Apesar de não ser transmitida de pessoa para pessoa, o carrapato-estrela, responsável pela transmissão, pode se prender à pele por até 10 dias, contaminando outros humanos.

Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão pelo carrapato de cachorro é menos comum, mas também pode acontecer. Uma vez contaminado, o ser humano não transmite a doença para outra pessoa.

Registros da febre maculosa

Os principais sintomas são: febre, dor no corpo, manchas na pele, náuseas e dor no fundo dos olhos. A maior concentração das notificações está nas regiões Sudeste e Sul, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2021, até o mês de setembro, o país registrou 69 casos e 19 mortes. A febre maculosa é registrada em áreas rurais e urbanas do Brasil.

“Felizmente, não existe chance de pandemia. A situação está controlada, os casos foram identificados cedo. O contágio pelo carrapato pode atingir no máximo cinco pessoas. E está sendo feito todo um trabalho muito cuidadoso e proativo nesse caso”, pontuou a pesquisadora da Fiocruz responsável pela identificação da doença.

O secretário Alexandre Chieppe informou, nesta segunda-feira (25), que casos da doença acontecem mais na região noroeste ou serrana, mas que a área de notificação não é considerada endêmica para a febre maculosa.

Um grupo da Polícia Militar, Secretaria Estadual de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde farão uma pesquisa in loco para verificar se há carrapatos do tipo e coletar amostras dos animais como cachorros, cavalos e capivaras que estiverem na região para identificar se há presença da bactéria.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a febre maculosa é uma doença de notificação compulsória e alvo de acompanhamento. Sobre os casos específicos envolvendo os PMs, a Secretaria disse que a investigação epidemiológica está em curso.

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