Influência ou informação? Quando a imprensa vira “plano B” para salvar o que não viralizou
No novo cenário da comunicação, a linha entre entretenimento e jornalismo está cada vez mais borrada

Agências de publicidade, assessorias de imprensa e equipes de marketing cultural vêm priorizando influenciadores digitais nas estratégias de divulgação — e deixando jornalistas e veículos tradicionais de lado. O problema? Quando o engajamento não vem, é a imprensa quem precisa apagar o incêndio.
O papel da imprensa reduzido ao “socorro de última hora”
Teatros esvaziados, shows com baixa procura, eventos culturais sem repercussão. É nessas horas que a imprensa tradicional, antes ignorada, recebe e-mails urgentes e pedidos “em cima da hora” para entrevistas, matérias e inserções. A mídia, que deveria estar no centro da estratégia de comunicação, passa a ser convocada como plano B — quando o buzz das redes sociais não se sustenta ou quando a influenciadora contratada não entrega o alcance prometido.
Gui Artístico resume:
“A gente só é lembrado quando o teatro tá vazio. Quando o influenciador não lota, aí lembram que o jornal ainda fala com gente de verdade.”
O engano das métricas fáceis
É compreensível que marcas e eventos queiram visibilidade. Mas o erro está em reduzir a comunicação a números de seguidores, curtidas e compartilhamentos. Alcance digital não é sinônimo de credibilidade. A imprensa, apesar dos desafios econômicos, ainda é o canal mais sólido para contextualizar, apurar e dar profundidade ao que se comunica.
Relações públicas precisam repensar prioridades
Há um incômodo crescente entre jornalistas que sentem que agências de RP vêm tratando influenciadores como celebridades e veículos de imprensa como uma espécie de serviço gratuito de emergência. Enquanto uns ganham cachês, brindes, mimos e camarotes, os profissionais da notícia enfrentam descaso, exclusão e desvalorização.
Mais que uma disputa de espaço, o que está em jogo é a qualidade da informação e a própria sustentabilidade da cultura. A imprensa não deve ser a ambulância de um plano mal feito — deve ser parceira estratégica desde o início.
Conclusão: mais que visibilidade, é preciso visão
A coexistência entre imprensa e influência é possível, mas exige respeito aos papéis de cada um. Se a cultura quer ser levada a sério, precisa tratar com seriedade quem a comunica. E isso começa por dar à imprensa o lugar que ela merece — não só quando o teatro está vazio, mas também quando a plateia está cheia.















