Viaduto de R$ 20 milhões vira dor de cabeça: Mabel fala em demolir obra "mal feita" e cobra responsáveis; assista
Prefeito diz que elevado da Leste-Oeste pode até ser demolido se estudos apontarem inviabilidade de recuperação, enquanto laudos da Prefeitura garantem que a estrutura principal não oferece risco e liberam construção das vias laterais

abel classificou a obra como uma "porcaria" e afirmou que o principal problema está na estrutura do viaduto e nas placas de contenção do aterro.
A obra do viaduto da Avenida Leste-Oeste com a Castelo Branco, em Goiânia, voltou ao centro da discussão nesta terça-feira (30). Durante vistoria no local, o prefeito Sandro Mabel (UB) afirmou que a estrutura herdada da gestão anterior apresenta graves problemas de engenharia e que, se os estudos técnicos concluírem que não há recuperação possível, o elevado poderá ser demolido. Enquanto isso, a Prefeitura decidiu acelerar a construção das vias laterais para aliviar o trânsito na região.
Durante entrevista coletiva, Mabel classificou a obra como uma "porcaria" e afirmou que o principal problema está na estrutura do viaduto e nas placas de contenção do aterro.
"O problema que existe é problema estrutural, tanto na ponte em si, como também nas placas que seguram o aterro. Se você olhar para o viaduto, você vai ver que ele está um pouquinho barrigado. Estamos fazendo estudos para reforçar a estrutura ou, em caso extremo, demolir o viaduto", afirmou.
O prefeito lamentou que quase R$ 20 milhões em recursos públicos tenham sido investidos em uma obra que sequer foi concluída.
"Antes de demolir uma obra dessa mal feita, uma porcaria de uma obra dessa daqui, você tem que tentar salvar. Foi dinheiro público. Nós não podemos simplesmente derrubar e pronto", declarou.
Segundo Mabel, especialistas apontaram falhas tanto na execução quanto na qualidade dos materiais utilizados. Ele afirmou que as placas de contenção não suportaram os testes necessários, o que impediu o avanço da construção.
"É mais caro você refazer uma porcaria do que fazer uma nova", criticou.
O prefeito informou ainda que a Procuradoria do Município será acionada para cobrar judicialmente a empresa responsável pela execução da obra.
"Se ela recusar pagar, uma cobrança judicial vai atrás do dono da empresa. Mas a cidade não pode ficar parada por causa dessas coisas."
Mabel também demonstrou impaciência com a demora na conclusão dos laudos técnicos.
"Eu já não estou nem trabalhando com esse prazo. Estou irritado com esses laudos. Quero uma solução definitiva."
Vias laterais serão abertas em até 90 dias
Enquanto o futuro do viaduto continua sendo analisado, a Prefeitura decidiu priorizar a construção das vias marginais do complexo viário. A expectativa é que elas sejam entregues entre 60 e 90 dias, após intervenções da Equatorial e da Saneago.
Segundo o prefeito, as pistas laterais já estavam previstas no projeto original e permitirão melhorar significativamente o fluxo de veículos.
"O viaduto, de qualquer forma, terá a via lateral. Não é improvisação."
A decisão foi respaldada por uma consulta pública realizada nas redes sociais da Prefeitura. De acordo com Mabel, cerca de 300 mil pessoas participaram da enquete e aproximadamente 90% defenderam a abertura das marginais enquanto o impasse do elevado é resolvido.
Casas no meio da obra e desapropriações travadas
Outro problema encontrado pela atual administração envolve desapropriações que ficaram pendentes durante a execução do projeto.
Segundo Mabel, havia imóveis localizados exatamente na área onde a obra deveria avançar.
"Eles fizeram um viaduto com umas casas no meio."
O prefeito afirmou que uma das proprietárias aceitou um acordo amigável com o município e receberá uma nova residência para desocupar a área, evitando uma longa disputa judicial.
Críticas à gestão anterior
Durante a vistoria, Mabel ampliou as críticas à administração passada e disse que os problemas encontrados na capital vão muito além do viaduto.
"A cidade em si é um monumento de coisas erradas que foram feitas na administração anterior."
Ele citou problemas em escolas, saúde, obras viárias e afirmou que pretende concluir intervenções antigas, como a Avenida Goiás Norte, as rotatórias do Hugol, da Praça Síria-Libanesa e finalizar toda a Avenida Leste-Oeste.
"Não adianta eu largar a Leste-Oeste pela metade. Vou acabar com ela. Ponta a ponta."
Semáforos inteligentes prometem reduzir congestionamentos
Mesmo sem a conclusão imediata do elevado, Mabel garantiu que a mobilidade na região da Castelo Branco não será prejudicada.
Segundo ele, a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito implantará um sistema de semáforos sincronizados que permitirá manter o fluxo praticamente igual ao que seria obtido com o viaduto pronto.
"Com viaduto ou sem viaduto, a cidade vai andar praticamente na mesma velocidade."
Obra começou em 2023 e segue parada
O complexo viário teve início em maio de 2023. Na época, o orçamento previsto era de R$ 5,5 milhões, com prazo de execução de 180 dias.
O projeto previa um elevado de aproximadamente 350 metros sobre a Avenida Castelo Branco, além de 845 metros de drenagem e cerca de 13 mil metros quadrados de pavimentação.
As obras foram paralisadas em dezembro de 2024, retomadas em outubro do mesmo ano e interrompidas novamente dois meses depois. Desde então, permanecem sem avanço.
Laudos descartam risco imediato à população
Apesar das declarações do prefeito sobre possíveis problemas estruturais, os laudos técnicos contratados pela própria Prefeitura apontam que a estrutura principal do viaduto não apresenta risco para quem passa pela Avenida Castelo Branco.
Os estudos, elaborados por empresas especializadas com ARTs registradas no Crea, incluíram análise documental, inspeções visuais e ensaios de esclerometria.
Os resultados indicaram que pilares, vigas pré-moldadas e tabuleiro apresentam resistência à compressão superior aos 40 MPa previstos em projeto.
Embora alguns ensaios tenham identificado pontos da fundação com resistência inferior ao previsto — chegando a 29,6 MPa —, os cálculos concluíram que a armadura existente atende aos requisitos de segurança estrutural.
Os técnicos também estimaram vida útil mínima de 50 anos para a estrutura principal, podendo ultrapassar um século em alguns trechos.
Problema está nas placas das rampas
Segundo a superintendente de Obras e Serviços de Infraestrutura da Seinfra, Flávia Ribeiro Dias, o principal problema identificado pelos laudos está nas placas de concreto responsáveis pela contenção das rampas de acesso.
Essas placas não sustentam diretamente o viaduto, mas garantem a estabilidade do aterro e precisarão ser refeitas ou receber outra solução de engenharia.
"Do jeito que está hoje, não é possível continuar. Aquilo terá que ser refeito, revisto ou receber uma solução técnica", explicou.
Ela reforçou que pilares, vigas e tabuleiro não apresentam irregularidades.
"Hoje não existe risco para quem trafega embaixo do viaduto, porque essa estrutura não está comprometida."
Empresa será notificada
Com os laudos concluídos, a Prefeitura notificará oficialmente a empresa responsável pela obra, que poderá apresentar defesa técnica e até um novo parecer.
Somente após esse processo serão definidos os próximos passos para retomada do empreendimento, que poderá envolver ações judiciais, uma nova licitação e a conclusão definitiva do complexo viário.
Sobre a possibilidade de demolição, Flávia afirmou que essa continua sendo apenas uma hipótese remota.
"Nunca a demolição é a melhor solução. A engenharia possui diversas alternativas de reforço e estabilização. Somente se todos os estudos comprovarem que não existe outra solução técnica essa hipótese poderá ser analisada."
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