Servidora do IML expõe rastro de mortes por vício em "bets" e detona influenciadores
Quem traz à tona o relato contundente é a influenciadora Sharen Machado, de Anápolis Goiás

O aumento agressivo na publicidade das casas de apostas online — as conhecidas "bets" —, impulsionado fortemente pelas transmissões dos jogos da Copa do Mundo, acendeu um sinal de alerta máximo na saúde e na segurança pública. O vício no jogo e as dívidas acumuladas por apostadores vêm deixando consequências irreversíveis em várias famílias brasileiras. Em Anápolis, no interior de Goiás, pelo menos três mortes registradas no último mês estariam ligadas diretamente a esse cenário devastador.
Quem traz à tona o relato contundente é a influenciadora Sharen Machado, que atua há cinco anos como servidora do Instituto Médico Legal (IML) do município. Em suas redes sociais, a profissional fez um desabafo alarmante sobre uma realidade brutal que tem testemunhado nos necrotérios da cidade.
Segundo Sharen, em apenas três plantões recentes, ela presenciou seis casos de autoextermínio. Embora ressalte que não seja possível afirmar tecnicamente que todas as mortes por endividamento tenham relação exclusiva com as apostas, a servidora explicou que os relatos desesperados de familiares, muitas vezes, conseguem identificar a raiz do problema.
“Atinge todos os públicos: de gente rica a gente pobre, de pessoas com empregos dos sonhos a baixa renda, de jovens a pessoas mais idosas... deixando carta, falando que não aguentava mais e tirando a própria vida”, detalhou a servidora do IML.
Em um depoimento comovente, Sharen relatou que a publicidade em massa das plataformas hoje lhe traz gatilhos dolorosos: “Cada vez que me deparo com um anúncio de bet, me lembro dos familiares indo lá buscar essas pessoas que não aguentaram, caíram em uma ilusão de que iam mudar de vida por meio disso”.
A servidora também aproveitou o espaço para fazer um alerta direto à população sobre a publicidade enganosa na internet. Ela pontuou que os influenciadores digitais que divulgam ostensivamente as casas de apostas não enriqueceram jogando, mas sim sendo pagos para fazer a propaganda. A profissional completou lembrando que muitos deles "ganham comissão do dinheiro perdido pelas pessoas", expondo a engrenagem por trás da promoção dessas plataformas.
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