Professor de inglês goiano, que vive na Ucrânia, filma e relata tentativa de fuga do país; veja vídeo
Gabriel Felipe Costa precisou pedir carona e usar um monociclo para conseguir sair de Kiev, Capital do país, em direção a Bila Tserkva, onde mora uma amiga brasileira

O goiano Gabriel Felipe Costa, 25 anos, tenta deixar a Ucrânia desde à invasão militar da Rússia nessa quinta-feira (24). O professor de inglês precisou pedir carona e usar um monociclo para conseguir sair de Kiev, Capital do país, em direção a Bila Tserkva, onde mora uma amiga brasileira, a cerca de 85 km de distância.
O jovem relatou toda a sua fuga da Ucrânia pelo Instagram. Antes de sair da Capital, por volta das 19h do horário local, o brasileiro foi até um supermercado e mostrou as prateleiras praticamente vazias, já que os moradores precisam estocar alimentos. Em seguida, ele partiu em direção a uma estação de metrô, que estava totalmente lotada.
Por conta do toque de recolher às 22h, decretado pelo governo, o goiano desistiu de partir e ficou em uma avenida pedindo por carona. No local, várias outras pessoas aguardavam para entrarem no carro de algum desconhecido e fugir do cenário de guerra.
Depois de algum tempo aguardando, Gabriel conseguiu achar um motorista disposto a dar carona para ele, que o deixou a cerca de 10 km do seu local de destino.
"Um anjo de Deus me deu carona. Me joguei na frente do carro e falei 'moço, pelo amor de deus, me leva para outra cidade'", contou.
Para terminar a viagem, o goiano precisou usar seu monociclo elétrico.
"Meu transporte agora é uma roda, porque falta uns 10 km para chegar até minha amiga, conseguir pegar esse caro e sair do país. Estou morrendo de frio, está muito frio", relatou.
Gabriel filmou tanques militares do exército ucraniano transitando pela rodovia e uma longa fila de veículos que tentavam sair do país. "Trânsito muito grande, os carros estão indo muito lentamente".
O professor conseguiu finalizar a viagem e chegou à casa da amiga Cristiane Nedashkovskaya.
"Estou num grau de felicidade tremenda", resumiu.
Pela manhã, os dois saíram da Ucrânia em direção à fronteira com a Romênia, a cerca de 450 km de Bila Tserkva.
Até a última publicação do jovem, ele não disse se conseguiram chegar ao país vizinho. Já Cristiane informou: "Continuamos em segurança e estamos nos afastando da área de conflito". E continuou: "Família e amigos, ainda estamos tentando sair. Esgotados mental e fisicamente, mas vivos. Não liguem ou mandem muitas mensagens. O pouco sinal de internet é para GPS e notícias estratégicas."
Veja o vídeo
Invasão russa
Tropas militares da Rússia invadiram a Ucrânia na madrugada da quinta-feira (24), após um vídeo publicado pelo presidente russo Vladimir Putin, onde ele autoriza o envio do exército para o País vizinho. Ainda ontem, foram registrados ataques em várias regiões ucranianas.
Nesta sexta-feira (25), os militares começaram a chegar próximo a Kiev, Capital da Ucrânia. Putin exigiu ao governo ucraniano para que entregasse as armas e retirassem o presidente Volodymyr Zelensky do poder como forma de cessar o ataque.
No meio do caos, milhares de ucranianos e pessoas de outras nacionalidades tentam fugir para regiões vizinhas, como Polônia, Romênia, Hungria e Eslováquia. Segundo o Itamaraty, pelo menos 500 brasileiros estão morando no País europeu.
A Embaixada do Brasil na Ucrânia informou que está planejando a retirada cerca de 50 a 70 pessoas em um trem, que parte de Kiev ainda na noite desta sexta com direção ao Oeste ucraniano. No entanto, alegou que, por questões de segurança e falta de transporte, a partida pode não ocorrer.
Caso seja possível seguir com o trajeto, os brasileiros devem conseguir carona ou um carro para irem até a fronteira com a Romênia, já que a Embaixada argumentou não ter "condições" de garantir o transporte.
O Governo Federal está planejando enviar um avião da Forças Armadas Brasileiras (FAB) para buscar o grupo na Romênia. O resgate aéreo não pode ser feito no País que está sendo atacado, pois todo o espaço aéreo está fechado para qualquer tipo de vôo desde essa quinta.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 50 mil pessoas já fugiram da Ucrânia em dois dias. O clima é tenso, com autoridades pedindo aos moradores que deixem o País ou estoquem alimentos e permaneçam em zonas consideradas seguras.
No entanto, homens com idade entre 18 e 60 anos foram proibidos de saírem, já que estão sendo convocados para participar da "resistência" ao ataque.
O presidente ucraniano disse, ontem, que daria armas aos civis que também quisessem lutar na guerra. Já nesta sexta, uma rede de televisão ensinou os moradores como produzirem "coquetel molotov", um explosivo químico.















