Mulher é resgatada de cativeiro em ilha isolada no interior de Goiás
Vítima era mantida em condições subumanas, sem comida e bebendo água do rio

Sob a mira de "Miagra", mulher relata rotina de agressões e isolamento em casa abandonada.
Uma operação dramática da Polícia Militar resultou no resgate de uma mulher que era mantida em cárcere privado e sofria violência física e psicológica em uma região de difícil acesso na zona rural de Niquelândia. O resgate, que contou com a travessia de um rio a pé pelos policiais após o barco de apoio estragar, ocorreu na região do Povoado do Muquém.
O caso começou a ser desvendado após familiares da vítima irem desesperados até a sede da 11ª Companhia Independente da PM (11ª CIPM). Eles relataram que a mulher estava sumida e vinha sendo mantida presa contra a sua vontade por um homem em uma área isolada e sem qualquer tipo de comunicação.
Travessia heróica: PM improvisa após falha em motor de barco
Para chegar ao cativeiro, as equipes do 1º Sargento Costa, Soldado Ruan, 2º Sargento Fernando e Soldado Rocha enfrentaram 13 quilômetros de estradas de terra destruídas por buracos, erosões e lama. Ao chegarem ao ponto indicado, descobriram que a vítima estava em uma espécie de ilha natural, cercada por mata fechada e protegida por um rio.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para ajudar na travessia com um barco. No entanto, o motor de popa da embarcação sofreu uma pane mecânica bem na hora do procedimento.
Com o suspeito avistado na outra margem e temendo pela vida da vítima, os policiais militares não esperaram o conserto: eles decidiram atravessar o rio a pé, enfrentando a correnteza forte, pedras submersas e profundidade irregular, carregando todo o armamento e equipamentos de segurança.
Após cruzarem a água, os militares andaram por cerca de um quilômetro abrindo caminho na mata fechada e sem trilhas até localizarem um barraco de madeira abandonado e escondido entre as árvores.
Fome, sede e agressões no isolamento
Dentro da casa, a polícia encontrou a mulher em situação de extrema precariedade. Ela estava visivelmente abalada, desorientada e chorando muito.
À polícia, ela relatou o pesadelo que viveu:
Isolamento total: Estava proibida de ver parentes ou falar ao telefone (já que no local não há sinal).
Fome e sede: A alimentação era escassa e, por várias vezes, ela precisou beber a água suja do rio para não morrer de sede.
Violência: A vítima sofria ameaças de morte constantes e agressões físicas, como empurrões, tapas e puxões de cabelo.
O reencontro com a família, que aguardava na margem do rio, foi marcado por muita emoção e choro. A mulher foi levada para atendimento médico e passa por exames e acompanhamento psicológico.
Arsenal apreendido e suspeito foragido
O autor do crime, identificado como José Roberto dos Santos, o "Miagra", percebeu a chegada dos policiais e fugiu para o meio da mata densa antes da abordagem. Apesar das buscas intensas que duraram horas, ele não foi localizado.
No cativeiro, os policiais apreenderam ferramentas usadas para intimidar a vítima e entorpecentes:
01 arma de fogo artesanal (calibre .22);
05 munições intactas;
01 machado e 01 foice;
Porções de maconha.
Um veículo VW Gol vermelho, usado pelo criminoso, também foi apreendido pela PM e levado para o pátio do batalhão. As investigações agora seguem sob a responsabilidade da Polícia Civil de Niquelândia, que tenta localizar o paradeiro de "Miagra".














