Menina de 2 anos encontrada morta costumava andar sozinha pelo pasto, diz delegado
Vídeo gravado pela família mostra que Maria Fernanda tinha facilidade para caminhar pela propriedade rural. Laudo descartou violência e apontou hipotermia e desidratação como causas da morte

Os peritos estimam que o óbito tenha ocorrido cerca de 24 horas antes de o corpo ser encontrado.
A pequena Maria Fernanda Cândido da Rocha, encontrada morta no dia em que completava 2 anos de idade, tinha o costume de caminhar sozinha pelos pastos da fazenda onde vivia com os pais, que trabalhavam como caseiros. A informação foi confirmada pelo delegado Ramon Queiroz, responsável pelas investigações, durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (18). O caso, que mobilizou Goiás por dois dias, teve o laudo pericial concluído e agora caminha para o indiciamento dos pais por abandono momentâneo de incapaz.
Segundo o delegado, um vídeo gravado pelo pai da menina reforça que Maria Fernanda estava habituada ao ambiente rural e conseguia se locomover com facilidade pela propriedade.
“A complexidade de uma criança andar dois quilômetros causa estranheza. Pelos relatos dos pais, ela era uma criança proativa. O vídeo registrado pelo pai mostra que era uma criança que tinha facilidade para andar nesse tipo de lugar, ela foi criada ali. O pai ensinou ela justamente a caminhar com mais facilidade se tratando de área de pasto”, afirmou Ramon Queiroz.
Maria Fernanda desapareceu na fazenda onde a família morava, em Doverlândia, no sudoeste de Goiás. Durante dois dias, equipes do Corpo de Bombeiros, policiais, cães farejadores, drones, mergulhadores, um helicóptero do Grupo de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer) e dezenas de voluntários participaram das buscas.
O corpo da menina foi localizado em uma área rural, encerrando uma intensa mobilização que comoveu moradores da região e repercutiu em todo o estado.
A Polícia Científica concluiu que a criança morreu por hipotermia e desidratação após permanecer sozinha na mata. O laudo necroscópico descartou qualquer indício de violência física ou sexual.
Os exames não identificaram fraturas, sangramentos, lesões traumáticas ou sinais de agressão. Os peritos encontraram apenas arranhões superficiais, sem relação com a causa da morte, além de lesões provocadas por animais e insetos após o óbito.
A hipótese de violência sexual também foi descartada. Conforme os exames, não havia lesões na região genital da criança, embora amostras tenham sido coletadas para exames complementares, seguindo o protocolo padrão. Um exame anatomopatológico ainda está em andamento para confirmar todos os detalhes do caso.
De acordo com a investigação, Maria Fernanda caminhou sozinha pela vegetação na tentativa de encontrar os familiares depois de se perder. A exposição prolongada ao frio, à umidade e à falta de água provocou um quadro grave de desidratação e hipotermia, apontado como a causa mais provável da morte.
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Os peritos estimam que o óbito tenha ocorrido cerca de 24 horas antes de o corpo ser encontrado, mas ressaltam que fatores ambientais, como temperatura e umidade, podem alterar essa estimativa. O laudo também informa que a possibilidade de um afogamento atípico ainda não foi completamente descartada e segue sob análise.
Com a conclusão da perícia, a Polícia Civil informou que os pais deverão ser indiciados por abandono momentâneo de incapaz, crime cuja pena pode chegar a oito anos de prisão. Apesar disso, especialistas avaliam que a Justiça poderá considerar a aplicação de perdão judicial diante das circunstâncias excepcionais da tragédia e do sofrimento vivido pela família.
O sepultamento de Maria Fernanda aconteceu na manhã desta quinta-feira, sob forte comoção de familiares, amigos e moradores de Doverlândia, encerrando uma das ocorrências que mais mobilizaram as forças de segurança e sensibilizaram a população goiana nos últimos dias.
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