Julho começa com alerta em Goiás: calor de até 35°C, 19 dias sem chuva
Estado entra oficialmente no período mais seco do ano, com rios começando a baixar, calor intenso durante as tardes e umidade do ar em níveis de atenção, aumentando os cuidados com a saúde e o risco de impactos ambientais

Além das altas temperaturas, a umidade relativa do ar também preocupa.
O mês de julho começou trazendo um cenário de alerta para os goianos. Com a chegada do segundo semestre, Goiás entra na fase mais intensa da estiagem, marcada por longos períodos sem chuva, calor forte durante as tardes, baixa umidade do ar e monitoramento reforçado dos rios e dos recursos hídricos. O boletim divulgado pelo Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) aponta que as próximas semanas devem consolidar as características típicas do inverno no estado.
Logo no primeiro dia do mês, o sol predomina em todas as regiões goianas. As manhãs ainda começam com temperaturas mais amenas, principalmente nas regiões Centro-Sul, mas o calor aumenta rapidamente ao longo do dia. Nas regiões Norte e Oeste, os termômetros podem alcançar os 35°C durante a tarde.
Além das altas temperaturas, a umidade relativa do ar também preocupa. Em praticamente todos os municípios goianos, os índices mínimos devem variar entre 21% e 30% nas horas mais quentes do dia, faixa considerada de atenção pelos parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS). A combinação de calor intenso, ar seco e ausência de chuva exige hidratação constante e cuidados especiais, principalmente com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Os números da estiagem mostram que o período seco já está avançado em boa parte do estado. Até o dia 29 de junho, as regiões Norte e Oeste acumulavam 19 dias consecutivos sem chuva. A região Leste registrava 18 dias de estiagem, enquanto as regiões Central e Sul somavam 16 dias. Apenas o Sudoeste apresentava um cenário diferente, com seis dias sem precipitação, devido às chuvas registradas recentemente.
Segundo o Cimehgo, o acompanhamento dos dias consecutivos sem chuva passou a integrar os boletins meteorológicos para monitorar o avanço da estiagem e auxiliar ações preventivas relacionadas à gestão dos recursos hídricos, à agricultura e à prevenção de incêndios florestais.
Outro fenômeno típico do inverno goiano também ganha força neste início de julho: a grande amplitude térmica. Enquanto cidades das regiões Sul e Sudoeste devem registrar temperaturas mínimas entre 12°C e 14°C nas primeiras horas da manhã, municípios do Norte e Oeste podem enfrentar calor de até 35°C durante a tarde.
Na capital, Goiânia deve ter temperaturas variando entre 16°C e 31°C, com umidade relativa do ar oscilando entre 30% e 90% ao longo do dia.
Os efeitos da estiagem também começam a aparecer nos principais cursos d'água do estado. O monitoramento hidrológico do Cimehgo mostra que o Rio Araguaia permanece dentro da faixa considerada normal para esta época do ano, mas já apresenta tendência de redução do volume em alguns trechos monitorados.
O Rio Vermelho também continua dentro da normalidade, embora se aproxime do limite inferior esperado para o período. Já o Rio Meia Ponte apresenta tendência de queda tanto na região de Goiânia quanto em Itumbiara, refletindo a falta prolongada de chuvas.
Por outro lado, alguns mananciais seguem acima dos níveis registrados em anos anteriores. É o caso do Rio Claro, em Montes Claros de Goiás, e do Rio Verde (Verdão), monitorado nos municípios de Paraúna e Maurilândia, que continuam com volumes superiores aos considerados normais para esta época do ano.
Apesar do avanço da estiagem, o boletim do Cimehgo informa que não há risco potencial de tempestades em nenhum dos 246 municípios goianos. Também não existem cidades classificadas em condição crítica pelo chamado "Fator 30-30-30", índice utilizado para identificar situações favoráveis ao surgimento e à propagação de incêndios florestais.
Mesmo sem alertas extremos neste início de julho, o órgão reforça que o período seco apenas começou e será acompanhado de forma permanente. A expectativa é de que, com o passar das próximas semanas, a estiagem intensifique seus efeitos sobre os rios, o meio ambiente, a qualidade do ar e a disponibilidade de água em todo o estado.
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