"Haja coração!": emoção da Copa pode aumentar risco de infarto e médicos alertam torcedores
Cardiologista do Ânima Centro Hospitalar alerta para o perigo do combo de festas — que reúne álcool, tabaco e comidas pesadas — e reforça a importância de manter os exames de rotina em dia durante todo o ano

Pesquisa apontou que durante as Copas de 1998, 2002, 2006 e 2010 a incidência de infarto agudo do miocárdio no Brasil aumentou entre 4% e 8% nos dias de jogos da Seleção Brasileira.
A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 já desperta ansiedade entre milhões de brasileiros, mas, junto com a paixão pelo futebol, médicos fazem um alerta importante: controlar as emoções e evitar excessos nos dias de jogos pode ser decisivo para proteger o coração.
A tradicional expressão "haja coração", repetida a cada lance emocionante, ganha um significado ainda mais sério quando o assunto é saúde. Segundo especialistas, o problema não está apenas na tensão provocada pelas partidas, mas principalmente na soma do estresse com hábitos prejudiciais, como o consumo exagerado de bebidas alcoólicas, cigarro e alimentos ricos em gordura.
De acordo com o cardiologista e coordenador da Cardiologia do Ânima Centro Hospitalar, Dr. Giuliano Seraphim, situações de grande expectativa fazem o organismo liberar hormônios como adrenalina e noradrenalina, que elevam a pressão arterial, aumentam os batimentos cardíacos e provocam contração dos vasos sanguíneos.
"Quando passamos por uma situação de forte tensão ou estresse emocional elevado, nosso organismo libera substâncias catecolaminérgicas, como a adrenalina e a noradrenalina. Elas promovem o aumento da pressão arterial, elevam a frequência cardíaca e provocam a vasoconstrição. Em pessoas saudáveis, esse processo é puramente transitório e o corpo se normaliza após o término da tensão. O risco severo surge para indivíduos mais suscetíveis ou que possuem fatores de risco silenciosos e ainda não diagnosticados no consultório, o que torna o monitoramento essencial", explica.
Segundo o especialista, o verdadeiro perigo aparece quando a emoção do jogo é acompanhada por comportamentos que sobrecarregam ainda mais o organismo.
O médico destaca que o chamado "combo" formado por álcool, cigarro e refeições pesadas aumenta significativamente o risco de problemas cardiovasculares.
"O álcool atua como um potente estimulante cardíaco, elevando diretamente o risco de arritmias, infartos e derrames. O cigarro agrava severamente esse cenário, pois induz a vasoconstrição e reduz temporariamente a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue. Para completar o 'combo', as alimentações mais pesadas e gordurosas tendem a provocar sintomas dispépticos (má digestão) que, muitas vezes, simulam ou mascaram os sintomas de um problema cardíaco. A moderação precisa ser rigorosa", alerta.
Outro ponto de atenção é saber diferenciar uma crise de ansiedade de um infarto. Enquanto palpitações e um leve aperto no peito costumam desaparecer conforme a tensão diminui, a dor cardíaca geralmente é mais intensa, prolongada e pode irradiar para mandíbula, pescoço, braços ou costas.
Além disso, sinais como suor frio, falta de ar, sensação de sufocamento, tontura intensa e desmaio exigem atendimento médico imediato.
"Em qualquer situação de dúvida, o paciente deve ser encaminhado imediatamente a um serviço de emergência para ser avaliado por um médico especialista", orienta Giuliano Seraphim.
Para reduzir os riscos, os cardiologistas reforçam que a prevenção deve acontecer durante todo o ano, e não apenas nos dias de competição. Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou outras doenças cardiovasculares não devem interromper o uso das medicações, mesmo durante as comemorações.
Já para quem tem mais de 35 ou 40 anos, a recomendação é manter os exames preventivos em dia, incluindo consulta com cardiologista, exames laboratoriais, eletrocardiograma, ecocardiograma e, quando indicado, teste ergométrico.
Hábitos simples também ajudam a diminuir o impacto do estresse, como manter boa hidratação, dormir bem na noite anterior às partidas, evitar permanecer sentado por muitas horas e fazer pequenas caminhadas durante os intervalos dos jogos.
Os cuidados são reforçados por estudos científicos que mostram uma relação entre grandes eventos esportivos e o aumento das ocorrências cardíacas.
Uma pesquisa publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), apontou que, durante as Copas de 1998, 2002, 2006 e 2010, a incidência de infarto agudo do miocárdio no Brasil aumentou entre 4% e 8% nos dias de jogos da Seleção Brasileira. O levantamento também registrou crescimento de até 16% nas internações por doenças cardiovasculares nesse período.
Outro estudo, publicado no New England Journal of Medicine durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, revelou que as emergências cardiovasculares chegaram a ser 3,26 vezes mais frequentes entre homens e 1,82 vez maiores entre mulheres em partidas de alta carga emocional. Os pesquisadores observaram ainda que o aumento dos casos começava até duas horas antes do apito inicial, reforçando que controlar a ansiedade é tão importante quanto torcer pelo hexa
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