Gasolina em Goiás chega a R$ 7,83 e especialista aponta para novos aumentos em breve
Ainda no comunicado da Petrobras, a estatal acrescentou que decidiu não repassar de imediato a volatilidade externa do mercado, "apesar da disparada do preço do petróleo e seus derivados em todo o mundo".

O reajuste da Petrobras de 18,8% na gasolina e 24,9% no diesel, divulgado nessa quinta-feira (10), pegou de surpresa donos de postos e motoristas. O preço médio de venda da gasolina pulou de R$ 3,25 para R$ 3,86 o litro, enquanto o diesel passou de R$ 3,61 para R$ 4,51. O valor já pode ser sentido no bolso do consumidor nesta sexta-feira (11), quando passa a valer o reajuste.
Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás, Márcio Andrade, disse que os empresários foram pegos de surpresa com o aumento, que esperavam reajuste, mas em volume menor e que novas altas podem acontecer em breve, já que a Petrobrás ainda não repassou toda diferença de preço do petróleo em relação ao mercado internacional.
O preço do barril do petróleo no mercado internacional tem escalado e atingido altas históricas, principalmente, em razão da invasão na Ucrânia pelas tropas russas, já que a Rússia é um grande exportador do produto, porém, antes mesmo da guerra, o mineral já estava "supervalorizado" devido à tentativa de retomada econômica em relação à pandemia.
"Sabíamos que existia uma diferença considerável do preço praticado pela Petrobras comparado ao mercado internacinal, mas não esperávamos que viesse de uma só vez, com uma proporção desse tamanho. Esperávamos que viesse com mais aumentos, mas com um percentual menor", disse Márcio Andrade.
Ainda segundo Márcio, a situação é preocupante para os consumidores, já que os donos de postos devem repassar o aumento de forma rápida "porque o reajuste está maior do que a margem de lucro do posto". Por isso, os motoristas já devem sentir um aperto no bolso ainda neste final de semana.
Há quase dois meses, a Petrobrás não anunciava aumentos, porém, já em comunicado nessa quinta-feira (10), a Petrobras anunciou, após 57 dias sem reajuste, que foram "observados preços em patamares consistentemente elevados", o que tornou "necessário promover ajustes nos seus preços de venda às distribuidoras para que o mercado brasileiro continue sendo suprido, sem riscos de desabastecimento."
Na Capital, alguns postos já aumentaram o preço dos combustíveis e é possível encontrar a gasolina a R$ 7,83 no Posto Capim Dourado, no Jardim Goiás. No entanto, a variação ainda é grande e o consumidor pode abastecer pagando até R$ 6,39 em alguns postos de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana.
No mesmo posto, o diesel pode ser comprado a R$ 6,85. Em outros estabelecimentos, o valor abaixa para R$ 5,29, como é o caso do Posto Village, no Setor Serra Doura, em Aparecida. O etanol também deve sofrer aumento, mesmo que sem anúncio formal por parte da Petrobras, já que as distribuidoras acabam repassando o combustível mais caro.
Por isso, a orientação do presidente do Sindiposto é que o consumidor pesquise os preços através do aplicativo Eon - Economia Online, mantido pelo Governo de Goiás. Mas, como não dá para correr do aumento, é importante que, caso possível, o motorista tente economizar no uso do combustível.
Outra preocupação para os empresários, é a diminuição no volume de vendas. "O consumidor tem que se adequar aos gastos e passa a comprar menos", ressaltou Márcio. Por isso, há uma queda no faturamento dos estabelecimentos, mas as despesas se mantém. "Isso coloca o posto em dificuldade de se manter, fazendo com que precisem de mais capital de giro para continuar comprando os produtos e manter o estoque à disposição dos consumidores."
Em relação ao texto-base que altera a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) dos combustíveis, que foi aprovada pelo Senado nessa quinta-feira (10), o presidente do sindicato acredita que pode impactar em uma redução nos preços, mas não é possível avaliar se a medida será tão efetiva devido a novos aumentos que devem ser anunciados pela Petrobras.
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"Apesar do aumento expressivo, a Petrobras ainda não repassou todo o preço da paridade internacional", disse Márcio.
Ainda no comunicado da Petrobras, a estatal acrescentou que decidiu não repassar de imediato a volatilidade externa do mercado, "apesar da disparada do preço do petróleo e seus derivados em todo o mundo", e que continua monitorando diariamente o valor do material.
A justificativa aponta para novos aumentos no valor dos combustíveis, que não devem demorar para ocorrer devido à tensão que continua se estendendo pelo continente europeu e às sanções impostas na economia do país russo.














