Gasolina com mais etanol pode virar dor de cabeça: mecânico alerta para falhas e prejuízo
Nova mistura de 32% de etanol entra em vigor em 1º de agosto. Especialista diz que aumento pode provocar maior consumo, dificuldade na partida e desgaste de peças se a manutenção for deixada de lado

A mudança na composição da gasolina foi aprovada pelo CNPE e terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada uma única vez.
Agência Brasil/Marcello Casal JR
A gasolina vai mudar a partir de 1º de agosto e, apesar da promessa de ficar um pouco mais barata, a novidade pode trazer dores de cabeça para os motoristas. A mistura obrigatória de etanol anidro passará de 30% para 32%, decisão aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para reduzir a dependência da importação de combustíveis. Enquanto o governo estima uma pequena queda no preço nas bombas, mecânicos alertam que o aumento da concentração de etanol pode acelerar problemas no veículo e aumentar os gastos com manutenção.
Quem faz o alerta é o mecânico Ronilson Ribeiro, que trabalha em uma oficina no Setor Bueno, em Goiânia. Segundo ele, mesmo um aumento de apenas 2% faz diferença no funcionamento do carro.
"Faz muito. O etanol em muito excesso vai te dar problema", afirma.
De acordo com o especialista, os primeiros sinais podem aparecer no bolso do motorista. O veículo pode passar a consumir mais combustível, apresentar dificuldade na partida e sofrer desgaste prematuro em componentes importantes do sistema de alimentação.
"Ele vai sentir. A economia dele vai ficar maior, vai gastar mais um pouco. Pode ter dificuldade de partida também", explica.
Os prejuízos, porém, podem ir além. Ronilson relata que já atendeu carros com bombas de combustível queimadas, bicos injetores comprometidos, velas danificadas e peças tomadas pela ferrugem. Segundo ele, o maior teor de água presente no etanol favorece a corrosão de componentes metálicos e eletrônicos.
"A quantidade de água aumenta também no combustível e ela não combina com ferro nem com os componentes eletrônicos. Vai enferrujando e dando problema", alerta. Em alguns veículos, o desgaste foi tão intenso que a oficina precisou retirar o cabeçote do motor para substituir peças corroídas.
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Outro efeito citado pelo mecânico é o ressecamento de componentes do sistema de combustível, o que também pode reduzir a vida útil de bombas, mangueiras e bicos injetores. Sem manutenção preventiva, a conta pode ser alta.
"Querendo ou não, uma hora a conta vai fechar."
Para evitar dores de cabeça, a orientação é manter a revisão em dia, trocar o filtro de combustível a cada seis meses, verificar a pressão da bomba e fazer a limpeza dos bicos injetores. Para quem costuma abastecer apenas com etanol, a recomendação é alternar o combustível.
"Três tanques de etanol e um de gasolina ajudam a limpar o sistema e diminuem a dor de cabeça no futuro", orienta.
A mudança na composição da gasolina foi aprovada pelo CNPE e terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada uma única vez. A medida foi adotada após a disparada do preço internacional do petróleo, provocada pelas tensões entre Estados Unidos e Irã. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento da mistura pode reduzir o preço da gasolina em cerca de R$ 0,03 por litro, evitar a importação de aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano e ainda contribuir para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.
*Com informações TV Anhanguera
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