'Ganância e inveja me tiraram de lá', diz Padre Robson sobre Trindade
Religioso relembrou a Operação Vendilhões e se autointitulou doutor em tormentas

Durante uma missa celebrada na Diocese de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, o padre Robson de Oliveira desabafou sobre os bastidores de sua saída do estado e atribuiu o seu afastamento definitivo da Basílica à "ganância" e à "inveja" de terceiros. Os vídeos com as declarações do sacerdote começaram a circular com força nas redes sociais neste fim de semana.
Sem citar nomes de autoridades ou de membros da Igreja Católica, o clérigo relembrou publicamente o período em que esteve no epicentro da Operação Vendilhões, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) em 2020. Diante dos fiéis paulistas, ele lamentou não poder estar em solo goiano para a romaria deste ano e pontuou que sua ausência não foi fruto de um desejo próprio.
"Hoje eu não estou lá em Trindade celebrando a festa do Divino Pai Eterno (...). Não é porque eu quero, não é porque eu escolhi esse caminho. Foi porque houve tormentas pesadas na minha vida. Ganância, inveja e tanta coisa me tiraram de lá", desabafou o padre durante a homilia.
Ciente do peso de suas declarações para o cenário religioso e político de Goiás, o sacerdote se autointitulou "doutor em tormentas" e mandou um recado direto para a sua terra natal. "Tenho certeza que isso que eu estou falando agora repercutirá por lá, porque é assim que é a vida", emendou. Apesar do tom de mágoa com os episódios que o tiraram do comando da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), Robson reforçou suas raízes e pediu orações aos romeiros: "Eu sou trindadense. Adoro aquela cidade, amo".
Do escândalo ao arquivamento definitivo
O desabafo do padre Robson joga luz novamente sobre um dos casos mais midiáticos do Judiciário goiano nos últimos anos. Em agosto de 2020, o Ministério Público apontou um suposto esquema de desvio de doações de fiéis da Afipe para a compra de bens de luxo, fazendas e imóveis, imputando ao padre crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa.
Contudo, a batalha jurídica terminou com vitória total da defesa do religioso:
Bloqueio e Trancamento: O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) trancou a investigação original por entender que os atos da Afipe (uma associação privada) não configuravam os crimes apontados pelo MP.
Decisão no STJ (2022): O Superior Tribunal de Justiça arquivou em definitivo o processo criminal, com trânsito em julgado.
Chancela do STF: O Supremo Tribunal Federal manteve as decisões favoráveis ao padre, encerrando de forma irreversível as ações cíveis e criminais que pesavam contra ele.
Mesmo livre de todas as acusações perante a lei, Padre Robson permanece afastado de suas antigas funções clericais em Goiás e, atualmente, exerce o sacerdócio no estado de São Paulo.
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