Enel sobrecarrega funcionários e cobra excessivamente, diz diretor de sindicato
Edivânio Aparecida Pereira, de 48 anos, morreu em subestação da Enel; bairros ficaram sem energia

Quando Edivânio Aparecida Pereira, 48 anos, sofreu uma descarga elétrica na Subestação Atlântico, por volta de 10h da manhã da última quinta-feira (12), houve um silêncio. Para tentar salvar a vida do homem, que era funcionário da Enel Distribuição Goiás, a estação foi desligada.
Diversos bairros de Goiânia e Aparecida ficaram sem energia. Nenhum esforço, no entanto, foi suficiente para conter a violência elétrica que provocou sérios ferimentos em Edivânio, que morreu no ambiente em que trabalhava há mais de 20 anos.
Na manhã desta sexta-feira (13), o silêncio às vezes era interrompido pelo choro de algum dos familiares de Edivânio na sala de velório da Funerária São Paulo, no Bueno, em Goiânia. A mesma sala que ficou ainda mais triste quando ficou sem energia enquanto uma outra pessoa era velada no momento em que Edivânio recebia a carga elétrica.
"Sobrecarregados"
Entre cochichos e abraços, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias Urbanas no Estado de Goiás (STIUEG), Donizete Candido, reconhecia um ou outro colega de trabalho. Ao G5 News, o sindicalista disse que em três anos pelo menos oito prestadores de serviço da Enel morreram durante o trabalho. “Olha, a situação não é fácil. A Enel sobrecarrega os funcionários. Não contrata ninguém e incentiva o profissional a fazer hora extra”, disse ele. “E ainda tem uma cobrança excessiva”, acrescenta ele, que acompanhou a chegada da coroa de flores do sindicato.
A reportagem tentou conversar com os familiares. Ainda sem entender a tragédia, pediram para o repórter se retirar.
Do lado de fora, uma mulher deu uma dica ao repórter: “Olha as mãos dele. Dão dó. Imagina trabalhar a vida inteira com as mãos e morrer justamente com as mãos queimadas”.













