Dono do Frigorífico Goiás tenta fazer piada com escândalo da trans para "virar o jogo"
Na denúncia registrada na Polícia Civil, a mulher trans afirma que foi contratada para um programa no valor de R$ 500, mas que o empresário se recusou a efetuar

A publicação representa a primeira manifestação pública de Leandro em formato de vídeo desde que as acusações vieram à tona.
O empresário Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás, publicou nesta segunda-feira (13) um vídeo nas redes sociais em que tenta ironizar a polêmica envolvendo a denúncia feita por uma mulher trans e apresentar uma versão favorável a si. Na gravação, o empresário encena uma situação semelhante à relatada no boletim de ocorrência e sustenta a narrativa de que teria sido vítima de uma tentativa de extorsão.
O vídeo foi divulgado poucos dias após o caso ganhar repercussão nacional. Na denúncia registrada na Polícia Civil, a mulher trans afirma que foi contratada para um programa no valor de R$ 500, mas que o empresário se recusou a efetuar o pagamento. Ela também o acusa de ter feito ofensas de cunho transfóbico e ameaças. Leandro nega todas as acusações, e o caso segue sob investigação.
Vítima de extorsão?
Na gravação publicada nesta segunda-feira, Leandro simula uma conversa em que agenda uma "massagem" por R$ 500. Ao chegar ao suposto quarto, a encenação muda de rumo quando uma personagem afirma reconhecer o empresário como "o dono do Frigorífico Goiás" e "bolsonarista", chamando outras pessoas para registrar a situação.
Na sequência, o vídeo mostra uma simulação de chantagem. A personagem exige R$ 500 mil para não expor o empresário publicamente, afirmando que, caso o valor não seja pago, o caso seria divulgado pela imprensa e explorado politicamente.
Na encenação, Leandro reage recusando o pagamento e afirma que não cederia à suposta tentativa de extorsão. O vídeo termina com uma frase em tom de deboche, fazendo referência à marca do frigorífico: "A regra é clara: comprou picanha, veio linguiça. Devolve, não paga e pronto." Em seguida, o empresário faz um gesto obsceno em direção à câmera.
A publicação representa a primeira manifestação pública de Leandro em formato de vídeo desde que as acusações vieram à tona. Em vez de apresentar esclarecimentos sobre os fatos investigados pela Polícia Civil, o empresário optou por tratar o episódio com humor e reforçar a versão de que teria sido alvo de uma armação.
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Repercusão do caso
O caso começou a repercutir após uma mulher trans registrar boletim de ocorrência relatando que teria sido contratada para um programa sexual em Goiânia. Segundo o depoimento dela, além de não receber o valor combinado, foi vítima de ameaças e de ofensas transfóbicas. A Polícia Civil apura o caso, que segue sob sigilo.
A defesa de Leandro Batista Nóbrega nega todas as acusações. Os advogados afirmam que o empresário é inocente, sustentam que ele sofreu uma tentativa de extorsão e informam que adotaram medidas judiciais para responsabilizar os envolvidos na divulgação do caso.
Até o momento, a Polícia Civil não concluiu o inquérito, e não há denúncia apresentada pelo Ministério Público nem decisão judicial sobre o mérito das acusações.














