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GOIÂNIA

21 de Agosto de 2021, 16h:47 - A | A

GERAL / EXCLUSIVO

Diretor do Semiaberto de Aparecida foi flagrado em carro oficial com placa adulterada

Servidor nega envolvimento com adulteração; DGAP afirma que veículo estava em serviço

YAGO SALES
DA REDAÇÃO




Era uma sexta-feira, dia 29 de maio de 2020. Às 21h30, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) decidiram fazer uma averiguação rotineira em um Chevrolet/Onix preto que ia pela BR-060, na altura do KM 030, que liga Brasília a Goiânia. Quando viram a placa, perceberam algo estranho na forma de letras e números. Registrado como PRL-8947, a placa dianteira foi habilidosamente adulterada com fita isolante preta e virou PRE-8847.

Quando pediram a identificação do condutor, descobriram que se tratava do policial penal goiano Gustavo Guimarães de Paulo, que há três dias havia sido nomeado diretor da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto de Aparecida de Goiânia. Gustavo é um desses homens respeitadíssimos dentro do sistema prisional de Goiás – pelo menos pela Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP). O servidor tinha como carona um colega, também policial penal. Como a reportagem não o encontrou para se manifestar, sua identidade vai permanecer anônima.

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Na batida policial, os agentes da PRF fizeram uma busca no sistema com a placa original que revelou que se tratava de um veículo oficial – uma dessas viaturas descaracterizadas, que deveria ser usada apenas em serviço. Os policiais rodoviários federais, então, conduziram o diretor do Semiaberto e o policial penal para a 20° Delegacia de Polícia do Distrito Federal, que fica na região do Gama.

Lá, como consta no registro da delegacia obtido pelo G5 NEWS, Gustavo Guimarães de Paulo disse que a fita foi colocada para evitar ser pego nos radares e ser multado. Procurado, disse, surpreso, que não tinha "ciência da situação". Ou seja, de que não tinha se envolvido em nenhuma abordagem suspeita. A reportagem insistiu e ele disse que tinha "certeza absoluta" de que não foi flagrado conduzindo o carro.

O delegado adjunto da 20° DP do Distrito Federal (DF) – delegacia onde a ocorrência foi registrada – Paulo Fortini afirmou que o caso foi encaminhado às autoridades goianas. "O envolvido, servidor público do estado do Goiás, afirmou que o veículo seria uma viatura oficial, cuja adulteração já teria ocorrido e o veículo fora entregue a ele da citada forma. Por ser fato que teria ocorrido no estado do Goiás, a citada ocorrência é encaminhada àquele estado, sendo que a corregedoria do órgão também foi oficiada para a apuração administrativa."

Confrontado com informações obtidas pelo G5 NEWS, o servidor volta atrás e se defende. "Não tinha ciência [da adulteração da placa]." Sobre ele ter ido para a região do Entorno do Distrito Federal, disse que, à época, trabalhava na Superintendência de Segurança Penitenciária (SUSEPE), cuja atuação abrange todas as regionais. Mas, de acordo com a portaria n°1305/2020, o servidor já respondia como diretor da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto de Aparecida de Goiânia. Ele foi nomeado pelo coronel Agnaldo Augusto da Cruz, à época o diretor-geral interino de Administração Penitenciária. Embora já exercesse o cargo na ocasião do flagrante no carro com placa adultera, a nomeação do servidor saiu no Diário Oficial apenas no dia 12 de agosto de 2020.

Quando foi confrontado com informações dos documentos oficiais sobre o caso, o diretor reconhece que realmente foi conduzido à delegacia, mas que não sabia quem havia adulterado os dados do emplacamento. "O que foi averiguado pela Corregedoria é que não é um carro individual, mas coletivo. A viatura não é uso exclusivo das pessoas. Várias pessoas utilizam." 

Com a placa adulterada, o carro foi multado pelo menos quatro vezes – entre março e abril de 2020 – antes de ter sido flagrado pela PRF. Ou seja, as multas foram repassas para o outro proprietário.

Não é a primeira vez que a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) nomeia para cargos de chefia suspeitos de alguma irregularidade. O outro caso é do coordenador da 1° Regional Prisional de Goiás, Josimar Pires Nicolau do Nascimento, que tem sob seu comando 14 presídios, com 5.988 presos. Josimar foi denunciado tanto pelo jornal El País quanto pelo jornal O Popular por tortura. O jornal espanhol revelou áudios em que o coordenador confessa que agredia detentos e, ainda, que estava disposto a matar colegas policiais penais que o denunciarem por causa de tortura.

Em nota enviada pela assessoria de imprensa, o órgão, que parecia desconhecer a nomeação do servidor para o cargo de diretor do Semiaberto, informa que a viatura "estava à disposição da Unidade Prisional Regional de Valparaíso, sendo de uso coletivo para os servidores deste presídio."

Sobre a utilização do veículo, a DGAP ainda diz que o servidor estava à disposição da unidade de Valparaíso. "Na data do fato, o veículo foi disponibilizado para o servidor realizar intervenção operacional na unidade, além de demais procedimentos administrativos necessários, como visitas técnicas e apoio operacional nas unidades prisionais próximas." Servidores ouvidos pela reportagem contestam esta versão. Dizem que o diretor não teria nenhum argumento para estar em Valparaíso, enquanto deveria cuidar da administração do Semiaberto.

 

Comente esta notícia

Vitória 23/08/2021

Gustavo, é um dos servidores mais honoráveis que tem dentro dessa instituição! Não checam as informações e ficam atacando gente do bem! Pouca vergonha! Até onde vai a maldade das pessoas?!

Álvaro Rosa da silva 22/08/2021

Ridículo Notícia requentada Com tantos notícias importantes Requentar algo ridiculo

Álvaro Rosa da silva 22/08/2021

Ridículo Dar uma notícia hoje de um fato acontecido anos atrás Por este e outro motivos vcs nO tem credibilidade nenhuma

Fernando HONORIO SAKURABA 22/08/2021

Essa improbidade administrativa é inaceitável para o Estado de Goiás. Tem que punir esse servidor, assim como na sua função também pune dos que tem guarda e responsabilidade. Nada de passar mão na cabeça.

4 comentários

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