Cancelamentos de corridas e demora de Uber irritam usuários em Goiânia; motoristas já abandonam "profissão"
Além dos passageiros, motoristas estão demonstrando insatisfação com o aplicativo e afirmam que a empresa cobra cerca de 40% do faturamento dos trabalhadores; 4 mil já desistiram do serviço e mudaram de ramo

Sem a opção de abastecer os veículos com o GNV (Gás Nacional Veicular) e com preço da gasolina e do etanol “nas alturas”, centenas de motoristas do aplicativo Uber estão saindo de Goiânia para buscar oportunidades em cidades de outros Estados, onde a Uber está sendo novidade. Além disso, muitos motoristas e passageiros têm reclamado do serviço, que tem demorado muito. A cidade, inclusive já perdeu cerca de 4 mil profissionais neste setor, são cerca de 30 mil cadastrados, segundo apurou o G5.
Os motoristas ouvidos pela reportagem afirmam que recusam corridas distantes, já que o aplicativo não paga pelo trajeto de ida, o que acaba fazendo com que eles cancelem a viagem, já que não vale a pena fazer a corrida, irritando os passageiros. O motorista Thiago Carvalho reclama da taxa que o aplicativo cobra dos motoristas, que pode chegar até 50% do valor da viagem, segundo ele.
“Os aplicativos estão cada dia cobrando mais da gente, dando menos incentivos, 48% que a Uber está chegando a cobrar. Mandando buscar muito longe, o passageiro já está insatisfeito, já entra no carro chateado com o motorista e o motorista não tem culpa nenhuma. O motorista é quem faz a plataforma funcionar”, afirma Thiago ao G5News.
A equipe do G5 fez um teste na última semana na plataforma Uber, por volta das 7h30, horário em que a maioria das pessoas estão se deslocando para o trabalho. Foi solicitada uma viagem do Parque Atlântico ao Setor Bueno, sendo que foram cerca de 20 minutos para um motorista aceitar a corrida. E, quando aceitou, estava há cerca de 15 minutos de distância.
Essa também é uma das reclamações dos motoristas, que alegam as longas distâncias impostas pelo app. Segundo alguns trabalhadores ouvidos pela reportagem, durante viagens do dia a dia, a corrida só vale a pena quando eles conseguem ganhar, pelo menos, R$ 1 por quilômetro. Quando não vale, a viagem é cancelada antes mesmo de iniciar.
“Você tem que fazer a conta somando a viagem do passageiro na hora que bipa. Por exemplo, aparece uma viagem de 7 km e mais 3 km para poder embarcar. Você tem que estar recebendo pelo menos 10 reais para poder valer a pena, para você dar partida no carro. Fora isso, não vale a pena”, diz Thiago.
Em Cuiabá, onde muitos motoristas estão fazendo conversão dos veículos para o GNV, e tem muita oferta da opção de combustível, motoristas de aplicativo chegam a reduzir até 70% do valor gasto com combustível. Uma matéria feita pelo Repórter MT, site que pertence ao mesmo grupo do G5, mostra que o consumo quinzenal de um motorista reduziu de R$ 1,8 mil para R$ 660.
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