Após decreto de situação de emergência, secretário anuncia 115 mortes em Goiás
Decreto assinado por Daniel Vilela permite compras sem licitação e abertura de leitos; cobertura vacinal no estado está abaixo da média.

O Governo de Goiás decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias devido ao avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A medida foi assinada pelo governador Daniel Vilela após o estado registrar 2.560 casos e 115 mortes em 2026.
A SRAG é uma infecção pulmonar severa, frequentemente associada a vírus como influenza, Covid-19 e o vírus sincicial respiratório, e pode levar a quadros graves que exigem internação.
Na prática, o decreto permite ao estado agilizar a resposta à crise, com abertura e reforço de leitos de UTI e enfermaria com suporte ventilatório, além da contratação temporária de profissionais da saúde. Também ficam autorizadas compras emergenciais de insumos, equipamentos e serviços, com dispensa de licitação enquanto durar a situação.
O texto prevê ainda a criação de um centro de operações, coordenado pela Secretaria de Estado da Saúde, para monitorar os casos e organizar as ações de enfrentamento. O governo poderá remanejar servidores e requisitar bens e serviços, caso necessário.
Vacinação abaixo do esperado
A baixa cobertura vacinal contra a gripe é apontada como um fator de preocupação. Em Goiás, apenas 16,19% do público-alvo se imunizou, índice inferior à média nacional, de 16,92%. A vacinação é considerada essencial para reduzir casos graves e evitar a sobrecarga do sistema de saúde.
Estrutura de atendimento
O estado prevê a oferta de até 564 leitos exclusivos para SRAG, entre UTIs e enfermarias com suporte ventilatório. Nos últimos anos, houve ampliação da rede: os leitos de UTI neonatal cresceram 737,5%, passando de 8 para 67 em sete anos.
No total, a rede estadual — incluindo unidades próprias e contratualizadas — saltou de 1.635 leitos, em 2018, para 4.221 em 2026.
Orientações à população
A Secretaria de Saúde orienta que pessoas com sintomas leves, como febre e tosse, procurem Unidades Básicas de Saúde (UBS). Já casos com sinais de gravidade, como falta de ar e saturação abaixo de 95%, devem buscar atendimento em UPAs e hospitais.
Também é recomendado o uso de máscara em caso de sintomas gripais, higienização frequente das mãos, evitar aglomerações e manter boa hidratação.
A decretação de emergência evidencia a pressão crescente sobre o sistema de saúde e reforça a necessidade de adesão da população às medidas de prevenção, especialmente a vacinação, para conter o avanço da doença.
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