ANTT barra ônibus e van clandestinos em Goiás; adolescentes viajavam sozinhas
Operação Rota Segura apreendeu dois veículos irregulares nos primeiros dias de ação. Caso de duas adolescentes desacompanhadas acendeu alerta e mobilizou o Conselho Tutelar

Foi justamente na van que os fiscais encontraram duas adolescentes que viajavam sozinhas.
Com o aumento das viagens durante as férias escolares, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já começou a apertar o cerco contra o transporte clandestino em Goiás. Nos primeiros dias da Operação Rota Segura, um ônibus e uma van que faziam transporte interestadual irregular foram apreendidos. O caso mais grave envolveu duas adolescentes de 16 anos, que viajavam desacompanhadas e sem autorização dos responsáveis ou da Justiça.
As apreensões ocorreram durante uma fiscalização realizada na terça-feira (7). Segundo o chefe substituto do Escritório da ANTT em Goiás, Jesiel Júnior, um dos veículos era um ônibus que saiu do Maranhão com destino a Santa Catarina transportando 30 passageiros. O outro era uma van que havia partido de Goiânia rumo a Canápolis, na Bahia, levando 16 ocupantes.
Foi justamente na van que os fiscais encontraram a situação que mais chamou atenção. As duas adolescentes viajavam sozinhas, em desacordo com a legislação. Os dois veículos foram encaminhados ao Terminal Rodoviário de Goiânia, onde receberam as autuações e passaram pelos procedimentos administrativos.
"O fato que chamou nossa atenção foi a presença de duas adolescentes menores de 16 anos viajando sem autorização e desacompanhadas, o que não é permitido pela legislação", afirmou Jesiel Júnior ao Jornal Opção.
Diante da irregularidade, a ANTT acionou imediatamente o Conselho Tutelar. As responsáveis pelas adolescentes compareceram ao terminal, foram identificadas e receberam orientações sobre os riscos de utilizar transporte clandestino.
Operação continua até o fim de julho
A Operação Rota Segura foi lançada por causa do aumento do fluxo de passageiros nas férias escolares e seguirá até o final de julho. O objetivo é combater o transporte clandestino, fiscalizar as condições de segurança dos veículos e impedir o transporte irregular de crianças e adolescentes.
Embora ainda não exista um balanço consolidado das apreensões, a ANTT estima que o movimento de passageiros cresce cerca de 30% neste período, o que também favorece o aumento da atuação de transportadores ilegais.
"Sabemos que há um aumento considerável no fluxo de passageiros e, consequentemente, da oferta de transporte clandestino. Mas ainda não é possível comparar os números com os do ano passado", explicou Jesiel Júnior.
Pneus carecas e motoristas sem qualificação
Além da falta de autorização para operar, a fiscalização costuma encontrar problemas que representam risco direto aos passageiros. Entre as irregularidades mais frequentes estão pneus desgastados, para-brisas trincados, extintores vencidos ou descarregados, ausência de faixas refletivas, transporte irregular de encomendas e bagagens e motoristas sem a capacitação obrigatória para viagens interestaduais.
Segundo a ANTT, qualquer veículo que faça transporte remunerado interestadual de passageiros precisa estar autorizado pelo órgão, seja em linhas regulares ou em viagens de turismo.
"As empresas autorizadas seguem uma série de exigências relacionadas à manutenção dos veículos, capacitação dos motoristas e responsabilidade civil. No transporte clandestino, não há garantia de que esses requisitos estejam sendo cumpridos", destacou Jesiel Júnior.
"O barato sai caro"
Para o chefe substituto da ANTT em Goiás, muitas pessoas escolhem o transporte clandestino pela falsa impressão de economia, mas acabam colocando a própria vida em risco.
"O usuário utiliza esse transporte pela falsa promessa de um serviço de qualidade pagando menos. Mas, no fim, coloca em risco o seu bem maior, que é a vida", afirmou.
Ele lembra que o transporte regular oferece garantias que normalmente não existem nos veículos clandestinos, como seguro de responsabilidade civil, franquia de bagagem e benefícios previstos em lei para idosos, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda. Além disso, os veículos autorizados passam por manutenção periódica e contam com motoristas habilitados e treinados.
"É um recado que sempre fazemos: o transporte clandestino é um barato que sai caro", reforçou.
Como evitar problemas
Antes de comprar uma passagem, a recomendação da ANTT é verificar se a empresa possui autorização para operar. Em caso de dúvidas, os passageiros podem procurar os postos de fiscalização da agência nos principais terminais rodoviários do país ou entrar em contato com a Ouvidoria da ANTT pelo telefone 166 para confirmar a regularidade da empresa e esclarecer dúvidas sobre o transporte interestadual de passageiros.
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