PM invade terreiro na divisa de Goiás, xinga “pai de santo” e chama casa de “inferno”
A invasão ao terreiro de candomblé gerou forte repercussão nas redes sociais e na comunidade religiosa, que denunciou a ação policial como um ato de racismo religioso.

A Casa Ilê Asé Omin Yemonjá Ogunté, terreiro de candomblé localizado em Planaltina, na divisa entre Goiás e o Distrito Federal, foi invadida pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) durante uma perseguição a um homem suspeito de tráfico de drogas, na noite da última terça-feira (23). Vídeo no fim do texto
Segundo informações divulgadas pela Casa nas redes sociais, o acusado, já algemado, entrou no terreiro enquanto era perseguido pelos policiais. Vídeos gravados no local mostram um agente da PMDF segurando o homem, que apresentava ferimentos na cabeça.
Outras imagens registram parte da confusão.
A ação policial gerou indignação na comunidade religiosa, que classificou a invasão como uma violação ao espaço sagrado.
"Sem nenhuma preparação, arrombaram o portão, invadiram o terreiro, que estava em função, adentraram os quartos de santo e chamaram o nosso espaço sagrado de inferno", afirmou a Casa em uma publicação nas redes sociais.
A PMDF ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) está acompanhando o caso e deve solicitar esclarecimentos à corporação.
Repercussão e investigação
A invasão ao terreiro de candomblé gerou forte repercussão nas redes sociais e na comunidade religiosa, que denunciou a ação policial como um ato de racismo religioso. Entidades ligadas à defesa dos direitos humanos também se manifestaram em solidariedade à Casa Ilê Asé Omin Yemonjá Ogunté e cobraram uma apuração rigorosa dos fatos.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal, que deve ouvir os envolvidos e analisar as imagens divulgadas para esclarecer as circunstâncias da invasão. A expectativa é que a investigação determine se houve excessos por parte dos policiais e se a ação violou o direito à liberdade religiosa da comunidade do terreiro.












