Tarcísio e Ratinho “brigam” por Bolsonaro enquanto Caiado joga independente

As recentes movimentações para escolher quem será o candidato apoiado por Jair Bolsonaro (PL) em 2026 não preocupam Ronaldo Caiado, governador de Goiás e pré-candidato à Presidência. Mesmo com o ex-presidente condenado a 27 anos de prisão e inelegível até 2030, a disputa pelo seu apoio virou tema central nos bastidores.
Bolsonaro já ensaiou apoio a Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Mas Tarcísio recuou e avisou que buscará a reeleição. Uma escolha compreensível: depois de chamar Alexandre de Moraes de “tirano”, virou alvo direto do STF. Recuar, neste caso, é estratégia de sobrevivência.
Com a saída de Tarcísio do radar, Gilberto Kassab, presidente do PSD, se apressou em lançar o nome de Ratinho Júnior, governador do Paraná, para ocupar espaço. Enquanto isso, Caiado foi colocado como terceira opção — mas, para muitos analistas, essa posição é ilusória. Ratinho dificilmente decola, e a avaliação dentro do grupo de Caiado é clara: a direita deve ir para a eleição com mais de uma candidatura. Quem chegar ao segundo turno, recebe o apoio dos demais contra Lula.
Um interlocutor próximo a Caiado resume bem: a natureza do goiano é ser independente. Ele não depende de Tarcísio, nem de Ratinho e muito menos das articulações de Kassab. O que atrapalha hoje é a postura do União Brasil, partido que insiste em ficar em cima do muro, mas isso não paralisa sua movimentação política.
Na prática, Caiado está no radar e pode ser o nome beneficiado pela divisão da direita. Se Tarcísio ficar em São Paulo e Ratinho não emplacar nacionalmente, o governador goiano surge como alternativa muito mais viável e competitiva.
Seus aliados projetam que, até abril de 2026 — prazo limite para desincompatibilizações —, o cenário mudará várias vezes. Mas a leitura é otimista: Caiado segue firme, aguardando o movimento certo. E, como a política brasileira já mostrou, muitas vezes o candidato ideal não é o mais óbvio.
Com estilo direto e sem papas na língua, Caiado pode encarnar o papel de independência em meio a partidos que vacilam. Esse é seu maior trunfo: não ser visto como um político de conveniências, mas como alguém capaz de aglutinar forças quando a disputa afunilar.
No fundo, ninguém sabe a quem Bolsonaro dará seu apoio. Mas uma coisa é certa: Ronaldo Caiado garante estar no páreo — e os próximos meses serão decisivos para consolidar seu espaço como alternativa real na direita.












