Prefeita de sucesso flerta com erro que a política não perdoa

Uma das prefeitas mais bem avaliadas de Goiás decidiu colocar tudo em risco. Graciele da ArteTrigo (UB), referência administrativa em Campo Limpo de Goiás, resolveu que quer ser deputada estadual a qualquer custo, mesmo que isso signifique sacrificar o próprio grupo político.
O que move Graciele hoje não é um projeto coletivo, nem a construção de um estado melhor. O motor é outro: rancor.
Rancor por ter feito um governo tecnicamente irretocável e não ter sido defendida à altura por vereadores frágeis, que assistiram uma oposição pequena crescer em cima de críticas miúdas, do tipo pintura de alambrado de campo de futebol.
Empresária de sucesso, dona de uma indústria com 900 funcionários, Graciele é grande, mas demonstra dificuldade em lidar com críticas pequenas. Quando atacada, desce ao nível do ataque. E política cobra frieza.
Ela teria, sim, envergadura para mandatos maiores. Mulher, empreendedora, prefeita eficiente, com prestígio. O problema é o tempo. Deputação não se improvisa. Exige dois, três anos de construção silenciosa, alianças fechadas e terreno preparado.
Graciele governa uma cidade com apenas 5 mil eleitores. O entorno já tem donos. Entrar agora é correr contra o relógio. No cenário mais otimista, chegaria a 12 mil votos — insuficientes.
O risco é alto: perder a prefeitura, a chance de reeleição e a vaga na Alego, sobrando, no máximo, um cargo secundário em eventual governo Daniel Vilela.
Graciele precisa sair do impulso e voltar ao centro. Há tempo para tudo na política. Forçar a hora errada costuma cobrar juros altos.













