O segredo que o PT esconde

Em Brasília, ninguém deveria mais cair na velha cilada: o PT promete abrir espaço, os aliados fazem cara de que acreditam e, no fim, todo mundo sabe que o partido só divide o poder quando não tem outra saída. O roteiro é antigo, mas segue funcionando — e foi exatamente o que se viu nos últimos meses.
Mesmo com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos) e Davi Alcolumbre (UB) entregando sustentação ao governo Lula, o PT respondeu com frieza calculada. O recado veio naquela “reforma ministerial de mentira”, quando o governo, em vez de contemplar aliados, blindou o próprio time e empurrou Gleisi Hoffmann e Alexandre Padilha para cargos estratégicos numa pré-campanha disfarçada.
Ali já estava evidente: o Planalto não contava mais com o Congresso. O plano era sobreviver politicamente, nem que fosse sozinho. Só que, ironicamente, para sobreviver, Lula precisa exatamente do que desprezou — aliados no Parlamento.
A salvação, por enquanto, veio do Supremo. Pendurado nos ministros, o governo conseguiu até reverter derrotas, como a decisão liminar de Alexandre de Moraes que garantiu o aumento do IOF. O STF virou bengala. O Congresso, figurante. E os aliados, mais uma vez, feitos de otários.












