Gari, jardineiro e motorista receberam até R$ 30 mil em novembro; outros tiveram salário maior que o STF
Pagamentos foram feitos no penúltimo mês da gestão Rogério Cruz, que nega irregularidades

Reportagem do Jornal Anhanguera 2ª edição trouxe, nesta quarta-feira (08), mais um escândalo envolvendo salário astronômicos e uma dívida de ultrapassa R$ bilhões na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), provocada durante a gestão do então prefeito Rogério Cruz (SD). A situação, já foi investigada por uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores, mas, que terminou em pizza, agora é alvo de uma reestruturação drástica por parte da nova gestão municipal.
O levantamento feito pela gestão Sandro Mabel mostra que a folha de pagamento de novembro do ano passado revelou que funcionários com cargos operacionais, como servente de pedreiro, coletor (gari) e jardineiro, que possuem salários-base de cerca de R$1,5 mil, recebiam, com gratificações, valores que variavam entre R$ 15 mil e R$ 19 mil.
Há casos ainda mais chocantes, como o de uma auxiliar de limpeza que recebia R$ 44 mil, um valor superior ao salário do próprio prefeito, que é de R$ 32.000. Outros exemplos incluem um motorista com salário base de R$ 1,7 mil que embolsou R$ 27 mil e um funcionário administrativo que recebeu mais de R$ 60 mil no fim do ano passado.
Mesmo após ter deixado de realizar a coleta de lixo na capital há oito meses, a Comurg manteve uma folha de pagamento inchada, com mais de cinco mil funcionários, muitos deles com salários que superam os de ministros do Supremo Tribunal Federal e até mesmo do presidente da república.
Dívida
A situação financeira da Comurg é crítica. A companhia é responsável por mais da metade da dívida da prefeitura de Goiânia, que atualmente está em R$ 2,3 bilhões. O rombo foi apontado em um relatório da CEI, que investigou irregularidades na empresa, incluindo os altos salários e a dívida bilionária. No entanto, o trabalho dos vereadores não resultou em ações concretas para solucionar os problemas.
Diante desse cenário, a nova gestão do prefeito Sandro Mabel iniciou um plano de reestruturação da Comurg com o objetivo de enxugar as despesas e acabar com os super salários. O primeiro passo foi a demissão de 420 funcionários comissionados, que custavam R$ 3 milhões por mês aos cofres públicos. A ordem do prefeito é clara: "Nós temos que diminuir o tamanho."
Segundo Mabel, a diferença entre os custos atuais da Comurg e do consórcio LimpaGyn, que realiza a coleta de lixo, é de R$ 70 milhões por mês, ou R$ 840 milhões por ano. Essa economia, segundo ele, poderia ser usada para investir em obras, educação e saúde.
O que dizem os envolvidos
O ex-prefeito Rogério Cruz declarou que os altos salários são decorrentes de direitos adquiridos pelos servidores ao longo de décadas de trabalho na Comurg, como quinquênios, benefícios incorporados e adicionais acumulados. Ele afirmou que todos os funcionários mencionados na reportagem são efetivos e os pagamentos estavam conforme a lei.
De acordo com Cruz, a legislação atual determina que os pagamentos brutos passem por corte de adequação e sejam limitados ao salário líquido do prefeito, que é de R$ 23 mil.
A reportagem da TV Anhanguera tentou contato com Rodolfo Bueno, último presidente da Comurg na gestão de Cruz, mas não obteve retorno.
Próximos passos
A nova gestão da Comurg informou que o conselho de administração deve discutir mudanças no estatuto da companhia para aprovar uma estrutura mais enxuta, eliminando superintendências, diretorias e gratificações. A expectativa é que as medidas de reestruturação tragam mais transparência e eficiência para a Comurg, além de aliviar as finanças do município.













