O avanço do PSD sobre o PSDB pelo país escancara uma crise que já era grande e agora fica ainda pior em Goiás. O partido de Gilberto Kassab vem engolindo os tucanos aos poucos, levando deputados, prefeitos e lideranças regionais. Em São Paulo, berço histórico do PSDB, seis dos oito deputados estaduais trocaram de sigla, deixando claro que o ninho tucano virou terra arrasada. Esse movimento nacional fragiliza ainda mais qualquer projeto político que tente sobreviver dentro do partido.
Em Goiás, o cenário fica ainda mais pesado para Marconi Perillo. O que já era difícil para o ex-governador manter aliados no PSDB tende a piorar com a chegada do governador Ronaldo Caiado ao PSD. Caiado passa a comandar a sigla no estado com caneta, estrutura e mandato, enquanto Marconi segue preso a um partido que perde força, dinheiro e tempo de TV. Na prática, a balança política pende toda para um lado só.
O efeito dominó é claro. Deputados e lideranças que ainda orbitam o PSDB observam o crescimento do PSD e fazem contas frias. Ninguém quer ficar em um partido encolhendo nacionalmente, sem perspectiva de poder e com risco real de perder fundo partidário e estrutura de campanha. A tendência é de novas debandadas, inclusive em estados onde os tucanos já respiram por aparelhos.
Com Caiado forte no PSD e Kassab puxando o partido para o centro do poder nacional, o espaço político de Marconi fica cada vez mais apertado. O projeto do ex-governador passa a depender de lealdade, algo raro na política quando o vento muda de direção. Não está fora do radar, inclusive, que Marconi seja forçado a recuar, repensar planos ou até buscar outro caminho para não ficar isolado em um partido que encolhe a cada eleição.