Além de "calote" nos servidores, Vilmar comprou mobiliário e flores por R$ 35 milhões
Prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, protocolou pedido de investigação no TCM para apurar os motivos da gestão anterior ter priorizado fornecedores realizados e fechar contratos milionários

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela (MDB), protocolou pedido de investigação no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) para apurar os motivos da gestão do ex-prefeito Vilmar Mariano (UB) ter priorizado o pagamento de fornecedores, no montante e R$ 136 milhões, em detrimento dos salários dos servidores municipais.
A denúncia, com quase 100 páginas, também pede investigação sobre as contratações questionadas, estão a compra de mobiliário no valor de R$ 33 milhões e a aquisição de mudas de flores por mais de R$ 2 milhões. Além disso, a equipe de transição alertou para o impacto de novas nomeações de servidores comissionados na folha de pagamento.
O relatório aponta que, em dezembro, a prefeitura tinha uma previsão de receita de R$ 179 milhões, mas apenas R$ 43 milhões foram usados para o pagamento do décimo terceiro salário dos servidores. O restante, cerca de R$ 136 milhões, foi destinado ao pagamento de fornecedores. Segundo o relatório, essa priorização resultou em um rombo de quase R$ 70 milhões.
A atual gestão também alerta para o risco de paralisação dos trabalhadores que não receberam seus salários, o que pode prejudicar a população com a falta de serviços essenciais.
O atual prefeito afirmou que essas dívidas não foram apresentadas durante as reuniões das equipes de transição e que decidiu denunciar o caso ao Tribunal de Contas para não ser responsabilizado pelas decisões tomadas pelo ex-gestor. Ele também anunciou que irá cortar gastos, incluindo a suspensão de 30% dos cargos de funcionários comissionados, numa tentativa de economizar para pagar as dívidas e o salário atrasado dos servidores.
Vilela afirmou ainda que o pagamento dos salários atrasados será feito assim que houver recursos em caixa. Ele ressaltou que as receitas de janeiro e fevereiro são as menores do ano, o que dificulta a quitação imediata das dívidas.
A secretaria de Fazenda informou que a prefeitura tem em caixa R$ 9,5 milhões, mas as dívidas já chegam a R$ 425 milhões. Nesse valor estão incluídos a folha de pagamento de dezembro, pagamentos de financiamentos, instituto de previdência, obras, subsídio da tarifa do transporte coletivo, hospital municipal e até internet.
A gestão de Leandro Vilela também vai tentar buscar apoio da Assembleia Legislativa e de deputados federais para o envio de emendas que auxiliem a gestão nesse momento de dificuldade. O parcelamento dos débitos também está sendo considerado.
Um pente fino nos contratos para identificar possíveis superfaturamentos em contratos quitados e vigentes.
O ex-prefeito Vilmar Mariano ainda não se manifestou sobre o assunto.













